Incubus Succubo Incuba

The door is locked shut from the outside

and as the morning dawns so loud

lightly a blow of summer scent grimly creeps in

making shadows larger

what arts of magic cannot produce

wallowed back and forth

against the flaccid wardrobe

where juices have been spat and cultivated on

subverting all of passion’s fragility

in silent jeopardy

milking the hero of the future to be

gliding in the sudden avenged pain

which the omnivorous climax

urges to lick and sweeten

for the dream of the anarchic is being helplessly carried on

announcing the ultimate understatement of doom

in monochromatic Germanic Classical horror.

 

GJ

XII Um Sonho de Sono

Sou produto carnal, um mero erro mortal?

A corrupta visão e a ilusão espalham

mal e morte em direcção aquele acidental

pedestal criminal onde só me consagram…

Fico nesta razão, mesmo que animal.

Volto a filosofar à luz dos que sonham,

acordado a pensar ir em viagem astral,

e lá poder planar em céus tão acima do chão.

Nova terra finita… Ser-se sem nada ter dito,

Sem alguma vez ter sido. No nada serei novo.

No nada só, medito. Eco com amor sem coito.

Prazeroso moderado amor em movimento.

Vejo na escuridão e ando livre no ovo.

Mero erro mortal, carnal contrafeito.

GJ

Espectro Ideológico

É de plena consciência

que sem culpa ou simpatia

tenho vantagem e distância

sobre aproximações invulgares

e vulgares conversas sem lugar.

 –

Sou dono do meu centro.

Sou o centro e não à solta.

Sendo fiel em presente respeito.

Fiel em intenção na fronteira franca

entre os pedidos e o meu despeito,

em nome da virtude de ser.

Em nome do equilíbrio,

na fronteira de ser e parecer.

 

 GJ

Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil

Que nenhum deus se lembre do teu nome

Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro

Livre como o vento e repetido

Como o florir das ondas ordenadas.

Prece, Sophia de Mello BreynerAndresen

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Nos seus fundos tomou um marinheiro o mar. –

Sua mãe vai e acende, por ignorar,

diante da Virgem uma alta vela

que volte depressa e faça bom tempo apela –

e não pára de escutar se o vento esmorece.

Porém enquanto ela reza e faz uma prece,

aquele ícone ouve, sério e triste,

que seu filho ao qual espera já não existe.

Prece, Kavafis

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Que do florir das ondas ordenadas,

possas vir tu a planar de volta

se um outro derrubar a tua nave,

cuspindo o teu engate,

se os monstros à solta,

 em águas mascaradas

cederem gélidos, inquietos.

Ousa, vence e domina. Beija-os

como ontem te beijei, suave.

 GJ

Escópio

O tempo é de substância

até na inércia me carrega.

 –

A divisão da luz é larga

embora opere no escuro

e o desperdício dos dias

é tão fatal como o das noites.

 –

Não há azáfama ou sono,

mas histeria e genial silêncio

explodindo no céu

como reflexos turvos da mente.

 –

O desenho do desejo do olhar

circunscreve a lua crescente.

 –

Deixo soprar,mas não fui eu.

 –

Esta dinâmica do ar

ressurge do marasmo

com aroma e paladar

de cardamomo.

GJ