collecting

To walk on this earth where everybody else is just everybody else and I walk inside my half bubble perfumed with your honey like saliva on my skin, your powerful waving. To grow gardens plowed in my mouth. To be the privileged proud man who meets his future reaching out for your half to make us whole. I go to bed with this knowing we shall have what we don’t, yet. Some future, always having more to look for.

Some might think I’m the ashamed one. I say, I’m forever uncomfortable being amongst human beings and being one of them. The sense of we, wearisome as it is, throws me out of mankind. I’m forever comfortable being flawed and all knowing of my limits and aiming being limitless out of proportion. I’d be a newborn, a bound angel, a necromancer, drinking my own blood to understand you better, halfway, closer to outter realities, relaxing my shoulders because the war I fight against myself is half won.

I lack humanity. I lack divinity. I lack corrodent bile. I wouldn’t wish for wings or levitation. I wouldn’t pray. I wouldn’t curse or kill. I wouldn’t allow being manipulated by feelings of redemption or guilt.

I’ve been given the ability of loving your mind, loving your body, being madly devoted and yet sanely certain of my devotion, for all fevers pass with but consumed vitality; and I’ve been given the ability to choose. I’ll always choose growing, building layers of time and wisdom like a mountain, bountiful waterfalls down to the valleys I’m pouring, my breath fresh air, shielding dense woods; I choose being grander towards you, with you, with your hand write your name on our land. Our land exists. I’m not me, I’m not human, I’m not without, I’m not defined, I’m not out. With you I’m together, we’re closer to touch the whole. Together our land has been found. We’ve opened the gates not with blood obscutity, but with innocence and hope.

I bear my spirit ready and uncloacked, bare, disquieted, hopeful.

GJ

Sim. Pois.

– Não gosto muito de invasões barulhentas – disse, num tom de puro fastio -, já o disse antes e volto a repetir com a mesma veemência.

– De onde veio essa? – pergunta, recostada na cadeira, sonolenta do longo silêncio decorrido, quebrado pela minha observação.

Expliquei-me e ela ouviu… pelo menos parcialmente, apenas observando o movimento dos meus lábios. ‘Cada palavra parece decorada, ele não vacila’, pensa ela, ‘aquilo deve ter estado a ruminar ali dentro, à espera de sair’. Falava sem interrupções e projectava o vago olhar para a cabine telefónica, desenrolando o monocórdico monólogo.

‘Grande monólogo que para ali vai!… É suposto eu perceber ou ele acha que faz sentido? Há-de fazer algum, lá no meio da palha…’

Encarava-me, a expressão era de total passividade, ausente, expressão de alguém que desligou o cérebro para recalibrar.

– Mas vê se percebes o que te digo, é mesmo como o episódio da rainha feiticeira e os Templários.

‘Epá, espera lá que vem aí da boa!’ pulou na cadeira e inclinou-se na mesa para ouvir o resto.

– Hm, pois… Como… Como?

– Então – agora focando-me nela -, houve muitas guerras nos episódios das Cruzadas, e eles simplesmente invadiam os territórios onde sua Divindade ainda não era sabida e proclamavam as terras. O que me espanta nestes sujeitos é atitudezinha de criança possessiva, sabes, como quando os nossos putos berram e se atiram ao chão e não nos deixam usar a sanita porque de repente acham que é só deles, embora usem fraldas, ou como quando se apoderam do comando da tv, ou das chaves do carro. Eles só querem o que não é deles. É o mesmo com os Templários e a avidez da Cruzadas.

– Hm, pois – sorvendo o resto do café.

– Tanto invadiram que um dia chegaram à terra da tal feiticeira – interrompeu-me – Espera! Mas qual feiticeira? Não me lembro de nada sobre feiticeiras nas Cruzadas… – Esta acho que era uma rainha deusa da Síria, ou assim… É bem capaz, aquela gente não brinca. Enfim – continuei -, eles chegaram lá, acamparam, trotaram até à dita feiticeira e foi logo “Saia daí que isto agora é nosso”. Como disse, houve muitas guerras, mas com esta não tinham hipótese, foram vaporizados, mas não sem antes verem  um bocado das profundezas do Inferno. Quando é assim, esquece lá o Cavaleiro Templário e a supremacia da palavra do senhor, quem pôde escapar não parou de correr. É assim que me sinto quando se intrometem no meu sossego.

Ficou estúpida a fitar-me com dúvida e desatou a rir.

– Ha! Tu és demais!

– Então porquê? – franzindo face à condescendência – Com essa figura triste sabes quem me fazes lembrar?

– A tua mãe? – disse, já azeda com a conversa.

Não reagi ao ataque directo e prossegui.

– Não. Fazes-me lembrar aquela criatura Macbeth. Onde quer que fosse envenenava tudo e todos, caso não tivessem já sido envenenados.

– Mas tu sabes do que falas?

Silenciei-a com o gesto de um dedo.

– Essa mesma Macbeth, na sua vil perfídia, era bem capaz de me dar uma sopa envenenada e roer-se toda de antecipação até dar a primeira colherada, e, caso estivesse a demorar muito a lá chegar dir-me-ia algo como “Não comes a sopa? Está a ficar fria”. Se oferecesse resistência então dir-me-ia ” É que já está envenenada, mais vale agora enquanto está quente”. É essa a mesquinhice que trazes sempre contigo. A minha mãe sabe cozinhar.

– Acaba lá de fumar e vai trabalhar, é disso que estás a precisar.

GJ