AD LIBS

Pergunto-me se todo o escrevente segue um ritual ansioso semelhante ao de todo o outro escrevente incerto de que efectivamente o é. Se se lava e se alimenta; se caga com as reflexões pairando e por assentar, no desejo de as conseguir expor, não cedendo à expectativa das suas capacidades; se bebe e sorve o café, ou o que mais gostar, que nada acrescenta e nada deixa esquecer.

Chega com ideias e debate-se com os costumes da tinta espalhada? Cede à homogeneidade? Conforma-se com esquemas e estilos? Safa-se com os devaneios do lirismo agradável? Suja-se com os seus maneirismos mundanos e arruaceiros? Quem é ele ou quem são eles, nas palavras? Que imagens carregam? Qual o gatilho que primem?

Quero garantir que a minha hesitação é o meu princípio e o fim pontuado das minhas composições, sendo inocente duma fuga fútil, nunca escapando a mim mesmo.

 

GJ