“onde andas?” Ausente de Março a Agosto

Voltei este mês a olhar para o meu plano de publicação no blog que criei em Março, trincando a língua em apreensão, sabendo que esse plano ficou para trás e por cumprir. Perante o abandono da minha escrita regular aqui quis escrever este post em primeiro lugar, mas aqui estou eu, algumas muitas entradas depois, a pensar como vou escrevê-lo, sem saber bem porque é tão desafiante expor os últimos meses. Opto por simplificar a minha narrativa, porque os factos da vida foram simples e acordaram-me, levando-me a tomar decisões de cabeça limpa e clara.

Embarquei em Setembro de 2014 numa demanda por aquilo em que realmente acredito para mim. Entre muitas derrotas, quedas de padrões e acções, despedidas, muita aprendizagem e também conquistas, melhores padrões e rotinas, uma mudança de paradigma essencial para o meu bem estar, solidez nas minhas relações e muito amor, muitas etapas foram percorridas. A quase dois anos desde o começo da aventura tenho de fazer o balanço, muita coisa mudou, muito foi feito, estou feliz com o quão a minha vida mudou e ainda tem espaço para mudar, por ter tomado a decisão que tomei.

Cansado de me contentar com a miséria em que vivia, amargurado e solitário, desisti de tudo o que fazia e decidi que ia, pelo menos, trabalhar naquilo que queria. Ainda não consegui. Pelo meio resolvi a minha parca forma de vida e voltei a acreditar em mim mesmo, para além de me dedicar de corpo e alma a outra vida. Fui conquistar o que mais desejava e se mostrou na hora certa, sem eu saber ou adivinhar. Antes de pensar sequer na oportunidade de mudar com inteira consciência dessa minha vontade mudei, não sem antes passar por um período de terrível confusão e auto-flagelo. Embrenhei-me em vício mais do que nunca, critiquei-me mais do que nunca, desfoquei-me de tudo, deixei de ter horas e prioridades, perdi forças e coragem, cansei-me até à exaustão e então parei, reavaliei e ponderei. A partir daí reconquistei a minha ambição e persistência e fui à luta. Esse primeiro ano foi rico em lições. O segundo ano consolidou tudo o que aprendi e vi para o meu futuro.

Demiti-me do emprego provisório que tinha, foquei-me nas aulas de línguas que dou a jovens estudantes e voltei eu também a estudar. O meu objectivo de trabalhar no ramo editorial revelou-se cada vez mais perto de fruição. O trabalho começou a ser cada vez mais afluente e exigente, bem como o volume de trabalho do curso de Design Editorial, o que me levou a estabelecer níveis maiores de produção. Confiante de que estava no sítio certo e da validez da minha paixão, fui constantemente contrariado e quebrado em todo e qualquer projecto proposto ao longo deste curso em que me integrava, e é com algum embaraço que confesso que perdi alguma fé no que estava a fazer, comecei a ter menos vontade de me dedicar a algo que amo fazer porque

“para quê se não vale de nada, certo?”

Entrei num ciclo depressivo, auxiliado por barbitúricos receitados para combater as brutais enxaquecas crónicas que me atacam a qualquer hora. Como sou um tipo com sorte e posso contar com o apoio incondicional de quem amo, fui sempre encorajado a continuar e fui constantemente lembrado de que aquele era o meu caminho. Acabou por apenas fazer parte do caminho, pois assim se aprende. Os planos mudaram, embora não radicalmente. Lá chegarei. Ao longo destes meses o que aconteceu foi muito trabalho, muita dedicação, muitas noites sem dormir, muita diversão, muitos livros, muita criatividade, muita coisa nova e primeiras vezes (algo que há muito não me acontecia). Há muita vida envolvida nesta ausência, muita actividade e necessidade de recolher informação das lições, deixar assentar. Deixo detalhes pessoais para o diário que comecei o ano passado e aqui fica o essencial. Batalhar por um propósito é o que fez estar ausente, mas tenho agora as ferramentas para me auxiliar no futuro a estar presente.

A par de tanto acontecimento transcendente (quantas vezes reviraram os olhos?) também tomei decisões sensatas como deixar de fumar, deixar de me medicar e levar uma vida mais saudável e logo menos tóxica, pensar mais em descanso, em actividade física, bem como em nutrição. É verdade, agora sou um tipo saudável dedicado a wellness, mas vou manter estes tópicos para mim mesmo.

Nada como sentir-me acordado e no meu corpo carregado de energia e de perseverança.

Perdão pelo post longo…

GJ