O quanto me apetece mudar isto do marketing pessoal

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Cedi à noção de que não sou visto por completo porque não sou unilateral e, a bem dizer, também me sei adequar às situações. De facto, se tivesse de responder à pergunta “qual o teu slogan?” eu diria “se não dormes comigo, não me fales antes de beber café”, mas percebo que querem algo mais “gourmet”, como seria “absurdo, confessionalista e reflexivo”.

Há dias perguntaram-me o que raio é isto de marketing pessoal e lembrei-me o quão penoso foi procurar na minha alma o que dizer de forma apelativa. Porque gosto das coisas simples como elas são e sem artifícios ao acaso, foi difícil encontrar algo que se parecesse aos slogans que me têm invadido os sentidos. Sou bruto, introspectivo e às vezes espalhafatoso, quase palhaço, e, como me achei no bom uso da minha capacidade de inventar, apresentei-me absurdo, confessionalista e reflexivo. Isto que dizer que por vezes sou uma perfeita besta a lidar com outras pessoas, mas a senhora do café acha que eu sou “o fofinho”. Como é que ela não percebeu que sou absurdo, confessionalista e reflexivo, quando eu peço o meu café com rigor, o meu bolo vergonhoso com olhos de esfomeado, num tom tão reticente quanto sonhador? Vai-te, Afonso!

Claramente não me faço entender e não percebo nada disto. O meu slogan é como é porque sou bruto como as couves e não o sei dizer de mais nenhuma forma agradável. É a minha verdade. Eu cá até posso ser um querido porque o sei ser, mas não há bela sem senão, e por cá há muitas contracurvas. Edge é aquele nervo que quando acorda alguém se fere. Neste caso, sendo um animal sensível a palavras e à perversidade da população, passo de querido a desbocado com facilidade. Assim é.

 

GJ