Colher

Dei ao mar, caído da minha jangada desenlaçada pela minha própria mente turbulenta.

É certo, antes de arar queria colher como antes de perguntar queria já saber. Quis sempre vencer a corrida contra mim mesmo e adivinhar-me antes de o tempo ter corrido. Colher-me-ia o tempo ainda desmentido, que não existia, e voltaria para me questionar ininterruptamente e estar todas as vezes errado, todas as vezes todas as manhãs, todas as perguntas respondidas, todas as certezas desfeitas. Esta eternidade teve um fim contigo. Quando me mostraste a cor da minha pele e a vi clara como água aceitei a vibração do laranja que me ardia na vista turva da água salgada, quando mergulhado estive, quebrados a cada nó da maré os meus ossos, sargaço do mar, quando me colheste e respondeste à pergunta que se afogou comigo, trouxeste a manhã irrepetível.

Juntos desmentimos o tempo, repetimos manhãs em que buscamos tudo do conhecimento e ficamos em flor e ora em fruto, nos ramos rebentamos em flores, e então em frutos.

GJ