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   Acredito que tudo é, por natureza e por defeito, desequilibrado. A falta de equilíbrio resolve-se com outros pesos, para cada limiar de desequilibrio há um elemento que pode contrabalançar os efeitos nefastos da deficiência raquítica do ser.

  Receita-se uma valente dose de bravura ao pensador da lógica fria e problematizante que se encontra apaixonado. Aconselha-se ao mais acelerado, ansioso e drasticamente romântico dos corações uma viagem pela noite fria da introspecção e calma. No entanto, pergunto-me qual o propósito de todo este contrabalanço? Se se é o que se é, e Ser é experiência, então não há existência menor que a experiência e cada um será o que é, simplesmente.

  Um mundo cheio de sobreviventes esplendorosos que fomos destruindo  sem nunca realmente ver os cantos à casa, sem nunca realmente tocar os que existem connosco e que aniquilamos, e, de alguma forma, só vivemos para o olhar do próximo. Uns mais resguardados de tudo, outros mais arfantes pelo calor do vizinho, mas todos querem o mais cobiçado, raro e vão dos bens, todos querem um coração, com amor. Um coração com amor pode já vir quebrado, pode não reparar um partido, pode não ser suficiente, pode elevar a consciência a novos patamares da existência mais amáveis, amorosos e globalmente estáveis.

  Acho que se resume a auto-preservação, para que as nossas deficiências não nos deformem. Corrige-se o instável e a bola de neve continua, no eixo em que giramos, num jogo de influências em que nos encontramos, não ao acaso, mas porque chegamos a um ponto de encontro.

GJ