Restos

um e outro, pés

um, outro,

relembrar como funciona tudo

neste brinquedo estragado,

o meu corpo.

pé ante pé, coreografo

passos impróprios.

há desafios incertos,

não há espaço ou segurança

ou espaço seguro,

pondo um ante outro,

haja astúcia, prudência.

andámos, hesitaremos,

ainda saltamos rumo

à facilidade do esquecer.

gemidos indevidos memorandos irresolúveis.

segue então a parada rápida,

perplexo com facilidades suspeitas

de compassos binários.

deixo o que quiser,

arrasto o que trouxer.

uma dança de acrobacias

irreflectidas, passadas longas,

exuberantes demonstrações

de pouco alento.

um passo rodado, dançado

na crista quadriculada,

cedo alargada e engulo

o espaço, com minhas

dimensões monstruosas.

II

para dizer, num gesto,

que rasguei uma quadricula

para nela velejar ou navegar no carril

da exponêncial ébria meditação,

os candidos sons projectados no vidro baço

pelo meu traço bom, fiável,

ruga que estimo por sorrisos eternos.

um gesto

um beijar suave,

mas seguro.

III

em cercas mais altas

balança-me o silêncio.

aquilo abaixo do queixo

lá festeja em doces romarias,

feio e porco.

ser ou não um pouco do sono

prolongado, agora de contas finitas,

não me traz prejuízo.

tenho sono à noite, dançando os meus dias.

GJ