Elogio dos repuxos – Ronald Carvalho

Hoje tenho em mim versos variados de Ronald Carvalho, em especial este “Elogio dos repuxos”, que lê assim:

Dor dos repuxos ao Sol-pôr agonizando

em plumas e marfins, em rosas de ouro e luz…

Canto da água que desce em poeira, leve e brando,

canto da água que sobe e onde o jardim transluz.

Dormem sinos na bruma — a cinza tem afagos…

Sombras de antigas naus, velas altas a arfar,

passam em turbilhões pelo fundo dos lagos,

(a aventura, a conquista, a ânsia eterna do mar!)

Repuxos a morrer sobre si mesmos, lentos —

curvos leques a abrir e a fechar num adejo,

— mão vencida que vem de vãos incitamentos,

mão nervosa que vai mais cheia de desejo…

Volúpia de fugir — ser longe e ser distância,

e tornar logo ao cais e de novo partir!

Volúpia — desejar e não possuir, ser ânsia…

Repuxos a descer, repuxos a subir…

Não fixar emoções, volúpia de esquecê-las,

Andar dentro de si perdido na memória…

(Caçadores ideais de mundos e de estrelas —

repuxos ao Sol-Pôr cheios de mágoa e glória…)

Dor dos repuxos ao crepúsculo cantando!

desespero, alegria — o lábio, a mão… e um beijo.

Dor dos repuxos, dor sangrando, dor sonhando —

Ir tocar a ilusão e morrer em desejo…

Obsessões da última semana

Acredito que cada um deva ter uma ou outra obcessão. Nestes últimos dias tenho andado obcecado com caligrafia oriental, papel japonês, design e ilustração. Entre muitos desenhos, escritas, muita confusão e uma muito necessitada gestão de prioridades, encontrei algumas coisas engraçadas, bem como uma nova agenda cultural para acompanhar nas próximas semanas.

 

#1 Ilustração

FUSCA

ilustrações para BICHOS de Miguel Torga

Aguarelas!

Paul-Émile Bécat

Jules Verne, Voyages Extraordinaires

Freeze Time Spell, Associação Portuguesa de Doentes de Huntington

#2 Fotografia

Morning Glory

#3 Aprender no Museu do Oriente

Iniciação à Caligrafia Japonesa

Máscaras em Origami

Encadernação Japonesa

Workshop Papel Marmoreado

Fabrico de papel aplicado às artes plásticas

 

 

GJ

Domingueiro?

Acompanho o mundo ao domingo, mas esta semana dediquei-me a blogs estrangeiros.

#1   Cantigas Medievais Galego-Portuguesas

Assim passei a minha manhã de Terça-Feira, ainda atordoado pelos long island iced teas, revisitando as cantigas medievais.

#2 Filme sobre o Metropolitano de Lisboa de 1959

Deixo a pequena pérola do passado. Apreciem bem a Lisboa de 1959 como pano de fundo das filmagens de rua.

#3   Sente-se uma fraude?

Um interessante artigo que li no Linkedin.

Passei os primeiros anos da minha vida profissional tentando dominar a arte do fingimento.

A faculdade foi difícil, mas pelo menos havia uma estrutura. Fazíamos os trabalhos. Fazíamos as provas. Ganhávamos notas, e as notas mostravam como estávamos indo.

#4   Oito incríveis bibliotecas infantis no mundo

Mais um motivo para ir à Tailândia.

#5   Como é o lugar onde escreve o escritor?

Há pessoas a fazer isto, a mostrar o local onde fazem os seus trabalhos, onde escrevem, onde criam. Ainda não sei o que pensar acerca disso.

#6  Satanatório

Sugiro este blog, de um rapaz sensato. Tenho gostado de o ler.

#7   Project Relish

Para os mais efusivos…

#8   Love Talk

Um blog onde se fala sobre relações, sentimentos e como alimentar uma saudável vida amorosa.

 

GJ

Domingo: vizinhança revista

Já vou a tarde e a más horas, as prioridades revezam-se a massacrar-me e as novidades do mundo apressam-se a passar despercebidas… mas eu não tiro os olhos de cima.

Esta semana revi alguns hábitos meus, incluindo o de ser mandão e exigente, lembrando o dia em que obriguei o meu pai a fazer mais uma chave de casa, para que pudesse voltar da escola sem ter de esperar por ninguém. Tinha eu cinco anos, farto dos outros miúdos e a querer paz e sossego. Isto tem alguma coisa de perturbador, mas defendo-me com a sensatez e presença de espírito de saber o que queria e o que era melhor para mim. Nem todas as crianças teriam esta auto-determinação.

Passada a confissão escusada, confiro agora o que me chamou à atenção e alegrou, esta semana. Aqui vai:

1º Quero falar-vos do Almeida Garcez: The Guilty Preacher Man! Que nome!
Apresenta-se, em inglês: Self-taught artist whose main focus is illustrating social issues. Available for collaborations.
Visitem a página, viajem na imaginação fluída, nos ácidos dos desenhos quase kitsh, nos separadores das antigas e novas ilustrações, vejam os pedaços da viajem fotográfica deste artista pela europa, os tesouros que trouxe.

Almeida Garcez: The Guilty Preacher Man!

2º Sou leitor ávido e assíduo de uma jovem indiana londrina e das short-stories que publica de surpresa, cuja escrita treinada, de grande poder descritivo e linguagem proper, lhe conferem lugar cativo no meu já muito calendarizado tempo virtual, guardando tempo para ler os extensos textos, sem parar.

Barely Here Nor There

 

3º Quero ainda mencionar um blog/site brasileiro, do qual tomei conhecimento através de Lourdes Rodrigues, que é o Oficina de Criação Literária Clarice Lispector. Promove-se o auto-conhecimento através da escrita! Apoio esta causa, a da auto-expressão e a do auto-conhecimento.

 

4º O Biblioklept mantém-me entretido, diariamente. Dizem, sobre o site suis generis:

Biblioklept was founded in AD 2006 by Edwin Turner. Reviews, rants, and riffs on books (and things that aren’t books). Interviews with authors, artists, filmmakers, publishers. Biblioklept posts short stories, poems, essays, and excerpts from many authors (mostly in the public domain, but sometimes not). Biblioklept also posts pretty pictures (and pictures that aren’t so pretty, perhaps). Paintings of readers and books. Film clips, full films, stuff like that.

 

5º Voltar a estudar foi um passo importante e, tendo isso em conta, vou antecipando alguns dos passos, para me preparar. Tenho estudado formas de ilustração, formatos de publicação, grelhas, tipografia, planeamento estratégico de um projecto editorial, e agora chego à infografia. O que é? Anna Vital; Information Designer .

6º Tenho lido alguns blogs de mulheres que são filhas, esposas e mães, que homenageiam as mães que tiveram, lembrando-as e partilhando as histórias e adversidades da idade madura. Este é um deles, e o que mais gosto: Those Were the Days
7º Para quem também escreve em inglês, encontrei estas ferramentas online para revisão de textos, erros ortográficos: Grammarly, e para feedback sobre textos: Autocrit – nem preciso dizer o quão entusiasmado fiquei.

8º Em último lugar, a Marvel disponibilizou bd’s para ler online. Destaco títulos como: Iron Man in Remote Possibilities; Captain America featuring Road Force in Endgame; Avengers #1 e ainda Thor: God of Thunder #1.

BD’s digitais Marvel gratuitas

 

 

GJ

Ao Domingo de manhã conheço a vizinhança

Um bom hábito meu de fim-de-semana é estar a par do que se passa, incluindo na blogosfera. Passo algum tempo a ler e a procurar nos blogs que sigo algo que me desperte curiosidade. Hoje, no meio de muitos posts, revisitei o Mundo Complexo (http://mundoxelpmoc.blogspot.pt/) e sentei-me simulando quase uma conversa com uma boa amiga, sobre aquilo que tem aprendido e sobre que maravilhas ou adversidades este mundo complexo lhe traz. Leio aquilo que esta boa amiga vê, desde a neve ao céu cinzento; sinto o que ela sente, frustração, dificuldade, novos começos; observo que tece os versos em malhas diferentes das anteriores; acima de tudo leio-a mais conversadora, a querer tocar o real, dispersando-se em prosa.

Revejo a minha confusão na dela, em que, na preocupação, a razão se perde e as defesas tomam formas quiméricas, e passam-se hora na “extrema análise dos acontecimentos”.

Falo agora acerca de um post em específico que li e comentei acerca da forma clara da pergunta colocada, que exaltou o meu pensamento e me envergonhei por não me ter conseguido propor por escrito a mesma questão: Sinto-me confusa e certas vezes temo roçar a demência. Será só extrema análise dos acontecimentos? Ora aí está! Não consegui, em tantas frases que tenho rabiscado, sucintamente fazer esta pergunta! A repetida e exaustiva análise dos acontecimentos deturpa a verdadeira memória, já estende um lençol de ficção sobre a nossa percepção do real e do que nos rodeia… Eis o caso que alguém que vive quase exclusivamente dentro de si mesmo, ouvindo incessantemente a mesma pergunta, atirando-a de novo ao vazio que encontra, copiosamente até à exaustão.

Aproveitem e visitem o Mundo Complexo em:  http://mundoxelpmoc.blogspot.pt/

GJ