Se a banana fosse metáfora

liberatebananas
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Numa manhã, entre o duche frio, o beijo de despedida, o último olhar de relance e a Rua das Amoreiras, temi pela perda e perdi-me da minha falsa calma. Sem saber, no caos exterior, cortei a pele em que me embrulhei, sem saber. Exposto, amadureceu ao sol, o meu corpo emocional engelhado. Sou quem era, numa infância longínqua, mais descoberta. Uma inconsequência desafiante e descarada de uma infância sob as permissões do certo e do errado, dum corpo jovem aprendido. Decompõe-se, oxida, desgasta-se em suores, desespero e persistência, o meu corpo.

Comi este meu corpo, comi todo o meu néctar, deixei as provas na estrada por onde andei. Encontrar os meus vestígios apenas me lembra que da minha fonte inesgotável vou resgatar mais do desconhecido que me sopra pela desdita.

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GJ